Em meio a diversas influências da ação, 'Agente Oculto' mira certeiro no clichê
- Rodrigo Mota

- Aug 3, 2022
- 3 min read
'Agente Oculto' ('The Gray Man'), adaptação da Netflix para a série de livros homônimos do autor americano Mark Greaney, estreou no catálogo do serviço de streaming em meados do mês de Julho, com a promessa de ser um franquia original de ação por parte da companhia.
Com um orçamento alto, especialmente para uma rede de streaming (cerca de US$ 200 milhões de dólares), a trama é dirigida e produzida pelos irmãos Anthony Russo e Joe Russo, que comandaram filmes elogiados pela crítica e público, como 'Capitão América: O Soldado Invernal' e 'Vingadores: Ultimato' para o Universo Cinematográfico da Marvel, além de terem produzido 'Resgate', também da Netflix, junto do diretor Sam Hargrave. O roteiro é assinado por Joe Russo, Christopher Markus e Stephen McFeely.

O enredo do título gira em torno de Seis, interpretado por Ryan Gosling, um espião do Projeto Sierra, uma divisão clandestina de mercenários financiada pela CIA no início do título, onde o protagonista, até então preso, é convencido pelo agente Fitzroy, de Billy Bob Thronton, a participar do programa e a cuidar da segurança de sua sobrinha, Claire, interpretada por Julia Butters, nos turnos vagos.
Em meio a uma missão em Bangkok, na Tailândia, comandada por superiores da CIA, Denny Carmichael, personagem de Regé- Jean Paige e Suzanne Brewer, da atriz Jessica Henwick, Seis começa a ser caçado pela própria agência, ao descobrir corrupções em meio a operação que não podiam ser revelados para o governo americano.
Seis é obrigado a realizar uma jornada pelo mundo à fora, junto da sua parceira de missão, a agente Dani Miranda, interpretada por Ana de Armas, que agora também é testemunha dos segredos que o personagem descobriu.

Enquanto os protagonistas tentam se esconder das jogadas iminentes da organização, Carmichael contrata Lloyd Hansen, interpretado por Chris Evans, um psicopata e ex-agente da CIA, para eliminar os protagonistas a qualquer custo, mesmo que isso gere impactos destrutivos por onde quer que Seis esteja, sendo uma justificativa do roteiro para intensificar as cenas de ação.
Aqui os irmãos Russo buscam se aproveitar de diversos artefatos utilizados por outras obras famosas do gênero, como a franquia Missão Impossível, da Universal Pictures, e 007, da MGM/Amazon Studios. O teor narrativo, contudo, é bem abaixo das suas influências diretas.
Há muitos buracos no roteiro que tentam ser "tapados" rapidamente por trechos com explosões, perseguições e tiroteios, momentos muito comuns nas obras do diretor Michael Bay, mas que podem ser facilmente desvendados pelo público.

O filme muitas vezes também nos entrega ritmos diferentes, como alguns flashbacks de Seis em seus turnos com Claire, na busca de criar um teor mais dramático e humano para o personagem de Gosling, sendo uma decisão, no mínimo, interessante. Mas, novamente, o roteiro não é bem articulado neste quesito, o que acaba prejudicando no desenvolvimento dos personagens, não sendo nada convincente.
As cenas de tensão existentes também deixam a desejar, pois grande parte delas são resolvidas de uma forma preguiçosa, eliminando qualquer emoção em trechos que poderiam ser parte de uma experiência mais positiva para o espectador, sem contar as divisões temporais entre os locais, que não foram bem aplicadas.
Por outro lado, quando a ação acontece, os efeitos gráficos utilizados são de qualidade e até fazem jus ao orçamento, considerando que, nos últimos meses, as práticas de uso do CGI sofreram constantes downgrades de diversas produtoras. A fotografia também é boa, utilizando takes com neons e fumaças durante o início da produção e criando atenção aos detalhes de destruição durante perseguições.
Por fim, 'Agente Oculto' acaba sendo apenas um título razoável de ação, o famoso filme "bom, mas esquecível". Uma ótima pedida para quem quer somente ver doses de ação desenfreada, mas péssima escolha para quem busca um enredo empolgante e com ação na medida certa.
NOTA: 6,5

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