'Batman', de Matt Reeves, é cinema neo-noir em sua melhor forma
- Rodrigo Mota

- Mar 4, 2022
- 3 min read
'Batman', um dos longas mais aguardados do ano de 2022, estreou nos cinemas brasileiros, prometendo ser uma releitura incrível do personagem homônimo da DC Comics no universo cinematográfico. Desde já, é possível afirmar que esta missão foi cumprida com carinho pelos seus idealizadores.
Neste longa da Warner Bros. Pictures, com direção de Matt Reeves, o ator Robert Pattinson ('Tenet', 'O Farol') assume o manto do Homem-Morcego e estabelece um reboot de Bruce Wayne nos cinemas, que está em seu segundo ano na pele do herói. O Vigilante de Gotham deve impedir as investidas do antagonista Charada, interpretado por Paul Dano, que começa a caçar diversos alvos políticos e influentes de uma forma brutal e psicótica.

Além do Charada, o personagem também precisa encarar as ações sujas dos mafiosos Carmine Falcone, de John Turturro, e Pinguim, de Colin Farrell, com a ajuda da anti-heróina Mulher-Gato, o detetive Jim Gordon e o mordomo Alfred Pennyworth, que contam com as atuações de Zöe Kravitz, Jeffrey Wright e Andy Serkis, respectivamente.
Numa Gotham City que utiliza perfeitamente o cenário industrial e melancólico da cidade de Liverpool, na Inglaterra, o longa demonstra uma excelente direção de Reeves, que também assina o roteiro junto de Peter Craig.

Bruce entra em uma grande jornada ética contra os criminosos mais perigosos de sua cidade natal, cujo desenvolvimento ocorre em torno de uma promessa de vingança a seus pais, Thomas Wayne e Martha Wayne, vítimas fatais das corrupções da cidade.
Aqui, Pattinson demonstra uma atuação excelente ao expor os sentimentos de angústia e raiva de Wayne, tornando-o mais melancólico do que o retratado em outras adaptações, sendo um ponto diferenciado e positivo para o contexto da obra.

O ator também não deixa nada a desejar nos momentos de ação, realizando ótimas coreografias, mostrando as habilidades de luta e inteligência do Homem-Morcego de forma plástica. Métodos como o medo, a presença nas sombras e a violência para vencer os adversários são constantemente utilizados nas cenas, junto dos famosos gadgets no clássico cinto de utilidades, detalhe bem explorado na obra.
A história possui diversas inspirações em graphic novels como 'Batman: Ano Um', dos autores Frank Miller e David Mazzuchelli, e 'Batman: O Longo Dia das Bruxas', de Jeph Loeb, mostrando também um tom semelhante ao visto nos games 'Batman: Arkham Asylum' e 'Batman: Arkham Knight', desenvolvidos pela Rocksteady Studios.

O desenrolar do enredo é bem executado, apresentando algumas justificativas justas para as reações dos protagonistas diante das ações iminentes do Charada e da família Falcone.
Há um ritmo de forma crescente no primeiro e segundo ato do longa, porém, a partir do terceiro ato, este perde parte do foco central na trama. Alguns fatos a respeito do passado da família Wayne e de Pennyworth são minimizados para "segurar a onda" do personagem.
Decisões a respeito do desenvolvimento de Carmine Falcone e Pinguim também transmitem algumas falhas no roteiro, justamente por, muitas das vezes, estes personagens ganharem pouco peso em relação a Charada e ao contexto do filme, descartando um destaque merecido na produção e num eventual sucessor por parte de Reeves.

A esplêndida fotografia, assinada por Greig Fraser, apresenta um alto nível de comprometimento com o contexto urbano e os seus personagens. Os takes retratam as belezas de Gotham City, mesmo em meio a violência e sujeira típica de uma metrópole industrial. Os detalhes da iluminação no rosto e nas silhuetas dos personagens também receberam uma ótima atenção por Fraser, condizente aos sentimentos das cenas.
Por outro lado, Michael Giacchino assume uma trilha sonora simples e sombria, mas totalmente funcional para as diversas cenas de investigação, suspense e ação que o longa apresenta, não ficando atrás da ótima trilha de Hans Zimmer na última trilogia do herói.

Apesar de alguns defeitos, 'Batman' consegue entregar uma experiência de alto nível para os fãs do Cavaleiro das Trevas. Esta é uma das narrativas mais longas de Bruce Wayne, em uma leva de 2 horas e 56 minutos, mas que possui uma imersão psicológica incrível do personagem, junto a uma qualidade técnica ótima da direção, fotografia, do roteiro (mesmo com ressalvas), elenco e da trilha sonora, detalhes que fazem a trama valer muito a pena.
NOTA: 8,5

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